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Você é dono da sua música — mas quem é dono da infraestrutura por onde ela passa?

Você aprendeu a defender o master: não cede, registra, mantém a titularidade. Um relatório publicado em 01/09/2026 mostra que essa defesa cobre uma camada só.

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DESTAQUES DA IMPRENSA

A casa de análise STVDIO lançou, com apoio da Secretly Distribution, o relatório "Independent Music 2026: A disputa pela infraestrutura da música". E aqui vale dizer de quem vem: a Secretly é ela mesma uma distribuidora independente, parte interessada na tese que o documento defende. Isso não invalida os números — obriga a nomear a origem.

Você defendeu o master. E as três camadas de baixo?

O catálogo independente é 46,7% do mercado global de música gravada — share de catálogo, não o dinheiro que chega até você. Quase metade, e ainda assim o título do relatório fala em disputa. O motivo está abaixo do master: quem distribui, quem calcula e paga o royalty e quem responde pelo campo do opt-in de IA. Depois das aquisições do primeiro semestre de 2026, essas três camadas podem já pertencer a uma major ou a um fundo sem que uma linha do seu contrato tenha mudado. A aquisição nomeada na cobertura é a da Sony, dona da The Orchard e da AWAL.

Mais de 100 selos foram convidados. Entraram dez

A Secretly ofereceu a licença de inteligência artificial da ElevenLabs a mais de 100 selos parceiros. Aderiram 3 selos e 7 artistas. Esse número é a adesão a uma licença, oferecida por uma distribuidora aos seus próprios parceiros — não é medida de quantos independentes no mundo recusaram licenciar para IA. Merlin e Kobalt montaram estruturas de opt-in com divisão de receita, e a hesitação em entrar continua. Não parece apatia. Parece gente que não sabe o que está assinando.

Três perguntas que não custam nada

Primeira: quem controla a minha distribuidora hoje, e não no dia em que eu assinei? Segunda: existe no meu contrato campo de opt-in ou opt-out para treino e licenciamento de IA — e quem responde por ele, eu ou quem me distribui? Terceira: qual é o único canal em que eu falo com o meu público sem passar por nenhum desses canos?

O recado: O próprio relatório aponta o caminho que não depende de cano nenhum: o contato direto com quem ouve. Mitski converteu mais de 200 mil fãs para a lista de e-mail a partir de anúncios de turnê no Instagram; o Japanese Breakfast recolhe telefones no próprio show, por QR code no local. Lançamento e show são o momento em que o ouvinte tem motivo para se manter conectado — e nenhuma dessas duas coisas passa por quem opera a sua distribuição.